quarta-feira, 23 de novembro de 2011

SOLIDÃO

De mãos enrugadas, pernas cansadas,
Ei-los sentados em bancos de jardins
Relembrando memórias,
Recontando suas histórias
E vivências afins…

Repara num deles um pouco.

Observa seu olhar profundo
Enrugado pela solidão…
Pensa no quanto de si deram
À sociedade que hoje lhes disse não.

Observa seus corpos curvados,
Cansados de labutar…
Pensa que serás tu brevemente
Que ocuparás o seu lugar...

Não durmas na indiferença,
Devolve-lhes o teu olhar ….
Não encolhas o sorriso.
O mundo pode mudar.

VIDA

Escrever é sonhar alto,
É levar o pensamento
Por lugares desconhecidos,
Às vezes, até proibidos
Apenas por breves momentos!...

É poderes dizer baixinho
O que preferes calar,
Quando a dor ou o preconceito
Te impedem de falar.

É poder voar bem alto,
Tão alto como o condor...
É poderes ser tu próprio
Sem agravo e sem favor!

É olhar toda uma vida
De uma forma diferente,
É perceber tudo à volta
Achando que estás ausente...

É poder viver a vida
Como a gostas de viver,
É deixar p'ra trás o mundo,
É ir...mas permanecer.

Transparências

Perdida no tempo,
Embalada p'lo vento,
Encontrei uma menina
Que sózinha olhava o mar.
Tentei recordar
Seu cabelo revolto,
Seu olhar absorto,
Seu estranho quedar...

Quem era ela?
Que fazia ali e...
Porque era tão triste o seu olhar?
Que esperava ela que as ondas lhe trouxessem
Em seu constante vaivém?

E... ali inibriada,
Muda, quieta e cansada
Nem sequer se apercebeu
Que o sol se toldou,
O céu escureceu
E que o tempo, que era o seu,
Simplesmente passou...

Com ele seus sonhos se perderam,
Seus desejos se venderam,
Àquela água salgada que vai e vem,
Que tudo leva e tudo traz
E que nada devolve a ninguém...

Esses sonhos eram os meus!
Todos eles
Um dia me pertenceram...

Hoje eu sei que essa imagem
Que dentro de mim se instalou...
Foi  a imagem da menina que fui
E a certeza da mulher que hoje sou.