quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Transparências

Perdida no tempo,
Embalada p'lo vento,
Encontrei uma menina
Que sózinha olhava o mar.
Tentei recordar
Seu cabelo revolto,
Seu olhar absorto,
Seu estranho quedar...

Quem era ela?
Que fazia ali e...
Porque era tão triste o seu olhar?
Que esperava ela que as ondas lhe trouxessem
Em seu constante vaivém?

E... ali inibriada,
Muda, quieta e cansada
Nem sequer se apercebeu
Que o sol se toldou,
O céu escureceu
E que o tempo, que era o seu,
Simplesmente passou...

Com ele seus sonhos se perderam,
Seus desejos se venderam,
Àquela água salgada que vai e vem,
Que tudo leva e tudo traz
E que nada devolve a ninguém...

Esses sonhos eram os meus!
Todos eles
Um dia me pertenceram...

Hoje eu sei que essa imagem
Que dentro de mim se instalou...
Foi  a imagem da menina que fui
E a certeza da mulher que hoje sou.

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